quarta-feira, 20 de maio de 2015

ABA ESPECIAL: RECORDAR É VIVER

                                               
     RECORDAR É VIVER por Raimundo Nonato Costa


Caros amigos EASISTAS, ultimamente não tenho visto muita movimentação em nosso blog e para fazer uma rápida agitação, surgiu-me a ideia - enquanto não se fala no VII Encontro - de darmos uma ligeira mexidinha. Que tal se abrirmos uma aba para recordarmos um pouco de coisas que nos proporcionaram alguns momentos divertidos, gostosos e por vezes também constrangedores; no caso agora, as aulas de declamação. Aqui poderemos contar casos lembrados  das declamações feitas por nós ou por outros companheiros, que nos remetam a casos engraçados para uns e vexatórios, geralmente, para o declamador, que nos divertiram muito naquela época.  Poderemos também enviar para o blog aquelas poesias que gostávamos de declamar; mandar as poesias mais lindas que achávamos ou as mais declamadas. Vamos lá, movimentemos este blog, não custa – RECORDAR È VIVER.

Para começar vou transcrever aqui três poesias do meu repertório, se vocês toparem depois transcreverei outras que tenho contidas no meu caderno nobre de poesias. Eu peguei a mania do Prof . Ibiapina e para tudo eu fazia  um CADERNO NOBRE.

- Esta deve ter sido a primeira que declamei; derretia-me de saudades do meu lar.

                                                   

 VISITA À CASA PATERNA

                                                                                                     ( Luiz Guimarães Junior )



Como a ave que volta ao ninho antigo,

Depois de um longo e tenebroso inverno,

Eu quis também rever o lar paterno,

O meu primeiro e virginal abrigo.


                                                         Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,

                                                         O fantasma talvez do amor materno,

                                                         Tomou-me as mãos  - olhou-me grave e terno,

                                                          E, passo a passo, caminhou comigo.


Era esta sala... ( Oh! Se ma lembro ! E quanto! )

Em que da luz noturna à claridade,

minhas irmãs e minha mãe...  O pranto
                                                                       Jorrou-me em ondas.. Resistir quem há-de ?
                                                
                                                                        Uma ilusão gemia em cada canto,

                                                                         Chorava em cada canto uma saudade.


Esta outra, além de mim, acredito que a maioria dos colegas declamou:




                                                    S A U D A D E
                                                                                  ( Bastos Tigre )


Saudade, palavra doce,                                          Uma palavra tão breve,
Que traduz tanto amargor !                                     Mas tão longa de sentir;
Saudade é como se fosse                                        E há tanta gente que a escreve
Espinho cheirando a flor.                                         Sem a saber traduzir.


Saudade, ventura ausente,                                        ''Gosto amargo de infelizes''
Um bem que longe se vê,                                         Foi como a chamou Garrett.
Uma dor que o peito sente,                                      Coração, calado, dizes
Sem saber como e por quê.                                      Num suspiro o que ela é.


Um desejo de estar perto                                         A palavra é bem pequena,
De quem está longe de nós;                                      Mas diz tanto de uma vez;
Um ai, que não sei ao certo                                       Por ela valeu a pena
Se é um suspiro ou uma voz.                                     Inventar-se o Português.


Um sorriso de tristeza,                                              Saudade - um suspiro, uma ânsia,
Um soluço de alegria,                                               Uma vontade de ver
O suplício da incerteza,                                             A quem nos vê à distância
Que uma esperança alivia.                                         Com olhos de bem querer.


Nessas três sílabas há-de                                           A saudade é calculada,
Caber toda uma canção:                                             Por algarismos também :
Bendita a dor da saudade,                                          "Distância'' multiplicada
Que faz bem ao coração.                                            Pelo fator ''querer bem''



Um longo olhar, que se lança                                       A alma gela-se de tédio,
Numa carta ou numa flor,                                            Enchem-se os olhos de ardor.....
Saudade – irmã da esperança,                                     Saudade – dor que é remédio,
Saudade – filha do amor.                                             Remédio que aumenta a dor!


E para lembrar as aulas de canto e do coral do Padre Marino, quem ainda sabe cantar :


A  CANÇÃO DO ESTUDANTE :

Segunda -feira                                                   A sexta-feira
É dia de preguiça                                               É um dia consagrado
Assim já não se atiça                                          Na cama sossegado
Vontade de estudar                                            Nem sonho com estudar

Na terça-feira                                                    Sábado pois,
O dia vai depressa                                             Que é dia de vigília,
Mas eu não tenho pressa                                    Seria maravilha
Pras aulas começar.                                            Eu por-me a estudar

A quarta-feira                                                     Domingo, enfim
É dia de mercado                                               Que é dia de preceito,
Seria baté pacado                                               Eu cristão perfeito
Se  houvesse de estudar.                                     Não devo estudar!...

A quinta-feira
É dia de sossego
Nos livros eu não pego
Não quero estudar.




Aí amigos, quero ver manifestação nesta página, tenho mais.

14 comentários:

  1. Mas o que é isto Raimundo ! Todos nós sabemos que a sua predileta era:
    Eu sou pequeno
    das pernas grossas
    shortinho curto
    papai na gosta!
    Esqueceu desta ai cara ?

    ResponderExcluir
  2. Geraldo Seoldo por mail21 de maio de 2015 09:26

    Concordo com a sugestão do Raimundo... Tudo ajuda, como disse algum sábio "neste mundo nada se perde, tudo se transforma". Ai vai meu versinho que declamei um dia lá na escola da roça (Escola Belo Dia - Professora: Dona Cita):

    BATATINHA QUANDO NASCE
    SE ESPARRAMA PELO CHAO
    NENENZINHO QUANDO DORME
    POE A MÃO NO CORAÇÃO.

    Abraços Seoldo.

    ResponderExcluir
  3. Meu amigo Seoldo, tem um equívoco neste texto, como sou especialista no assunto, vou te ajudar:
    BATATINHA QUANDO NASCE
    ESPALHA A RAMA PELO CHÃO
    ETC, ETC, ETC
    E ai ? Sabia desta ?

    ResponderExcluir
  4. Raimundo Nonato da Costa27 de maio de 2015 19:42

    Caros amigos, quem quiser participar e não souber como postar sua poesia ou o seu comentário e mesmo porque se o texto for muito grande;mande através de e-mail para o Lulu que ele posta para você. Não deixe de participar.
    Abraços. Nonato

    ResponderExcluir
  5. Raimundo, você sabe que meu nome é Trabalho. Por isto contribuo com a poesia de Olavo Bilac que declamei naqueles belos tempos.


    Tal como a chuva caída
    Fecunda a terra, no estio,
    Para fecundar a vida
    O trabalho se inventou.
    Feliz quem pode, orgulhoso,
    Dizer: “Nunca fui vadio:
    E, se hoje sou venturoso,
    Devo ao trabalho o que sou!”
    É preciso, desde a infância,
    Ir preparando o futuro;
    Para chegar à abundância,
    É preciso trabalhar.
    Não nasce a planta perfeita,
    Não nasce o fruto maduro;
    E, para ter a colheita,
    É preciso semear...

    abraços Alfredo.

    ResponderExcluir
  6. Caros Colegas, tendo o Nonato colocado em sua evocação das aulas de declamação o poema Visita à Casa Paterna, vou transcrever aqui o email que enviei ao Rafael quando ele me contatou por ocasião da preparação do Primeiro Encontro:



    Caro Rafael, você me evocou muitas lembranças; lembrei-me de um dia em que na aula de declamação você cantou e o padre Humberto censurou-o levemente por não ser uma canção para seminaristas; e das aulas de declamação lembrava-me quase totalmente de cor do soneto Visita à Casa Paterna (de Guimarães Júnior), e fui revisitá-lo, por sinal muito apropriado ao momento e passei a brincar com o poema, alterando-lhe algumas palavras:


    VISITA A CAMPO BELO

    Como a ave que volta ao ninho antigo,
    Depois de um longo e tenebroso inverno,
    Eu quis também rever o lar fraterno,
    O meu segundo e ministral abrigo.

    Entrei. Um gênio rigoroso e antigo,
    O fantasma, talvez, do Padre Humberto,
    Tomou-me as mãos — olhou-me grave e certo,
    E, passo a passo, caminhou comigo.

    Era esta a sala... (De estudos, e tanto!)
    Em que, da luz noturna à claridade,
    Padre Agostinho, Padre Lucas... O pranto

    Jorrou-me em ondas... Resistir quem há de?
    — Uma ilusão gemia em cada canto,
    Cantava em cada canto uma saudade...

    ResponderExcluir
  7. Daqueles tempo, lembro-me muito bem de quando Ismália enloqueceu.

    Ismália

    Alphonsus de Guimaraens


    Quando Ismália enlouqueceu,
    Pôs-se na torre a sonhar...
    Viu uma lua no céu,
    Viu outra lua no mar.

    No sonho em que se perdeu,
    Banhou-se toda em luar...
    Queria subir ao céu,
    Queria descer ao mar...

    E, no desvario seu,
    Na torre pôs-se a cantar...
    Estava perto do céu,
    Estava longe do mar...

    E como um anjo pendeu
    As asas para voar...
    Queria a lua do céu,
    Queria a lua do mar...

    As asas que Deus lhe deu
    Ruflaram de par em par...
    Sua alma subiu ao céu,
    Seu corpo desceu ao mar...

    ResponderExcluir
  8. E por falar em Lua, vai um poema moderno deste atrevido blogueiro:

    Sol, Lua, sombra e casquetes,
    Água pinga,
    Respinga em Nova União,
    Não se esqueça de Morretes,
    Ou fogo vira tição.

    ResponderExcluir
  9. Raimundo Nonato da Costa8 de junho de 2015 20:48

    Bravo ! Siovani, achei ''paidegua'' a sua brincadeira criando o novo poema : ''VISITA A CAMPO BELO''.
    E para continuar com as boas lembranças, em junho, se não me engano no ano de 1960, quando os padres nos liberaram pela primeira vez para passar as ferias de meio de ano em nossos lares, o Padre Marino nos ensinou para cantar antes de partir :

    Ó Aulas , adeusinho !

    Ó aulas adeusinho! Ó ferias, férias lindas !
    Estamos a Partir! Ó tempo de Prazer !
    Com risos e com Choros Quais ledos passarinhos
    Nós vamos despedir: Nós livres vamos ser ! :
    Adeus, adeus, adeus ! Adeus , adeus, adeus !

    'Staras deserta, escola, E após passado o tempo
    Em plena quietação Dessa áurea recreação
    Consola-te os amigos À escola voltaremos
    Mais tarde voltarão: Contente o coração.
    Adeus, adeus, adeus! Adeus , adeus, adeus !

    ResponderExcluir
  10. Graande Lulu ! Esse cara é mesmo dos BÃO !!!!!

    ResponderExcluir
  11. Siovani é um gênio, já disse, a poesia modificada por ele tornou-se realista para todos nós.
    Parabéns amigo.

    ResponderExcluir
  12. Meu caro
    Que lindas recordações você me proporcionou, quando eu li
    A CANÇÃO DO ESTUDANTE...
    Nossa, eu também cantei esta canção no Coral do Marista
    em Vila Velha-ES..
    Obrigado, meu amigo.
    Deus te abençoe...
    Luiz

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Luiz,

      Você é ex-seminarista da EASO - ESCOLA APOSTÓLICA SANTA ODÍLIA ?

      Excluir
    2. Não, meu amigo, não fui seminarista...
      Apenas estudei no Colégio Marista...
      Encontrei, no teu blog, a Canção do Estudante,
      que tive a oportunidade de cantar no Coral de nosso Colégio,
      aqui em Vila Velha-ES...
      Fique com Deus...
      Luiz

      Excluir