quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os Crúzios, um encontro de irmãos. Uma bela visão.

por Tupinambá Pedro Paraguassú Amorim da Silva

1-INTRODUÇÃO

                Meus caros amigos e companheiros de caminhada: Encontristas, melhor seria dizer turma dos “ex-seminaristas” da família crúzia, atendendo aos insistentes pedidos de saber mais a respeito da vida dos crúzios no Brasil. Dizem os Padres que eu sou a testemunha viva dessa história. Então aí vai. Certamente que fatos aqui narrados poderão não estar completos (vocês podem completar), todavia procuramos nos ater à veracidade dos mesmos. O que importa é que o nosso testemunho como “membros vivos”, possamos contribuir com a nova vida que se delineia para os Cruzios do Brasil, radicados em Campo Belo, nossa antiga e querida casa. Como é uma longa história, talvez seja melhor publicar por partes. Ok!


2-   HISTÓRICO

                Pessoal, para início de conversa, saibam todos que foi no dia 14 de fevereiro do ano de 1963, na parte da tarde que cheguei a Campo Belo. O Raimundinho veio comigo.  A recepção foi calorosa. Todos estavam no pátio do Colégio “Dom Cabral” nos esperando. Ansiosos e temerosos recebemos as boas vindas do Padre Humberto, diretor da Escola Apostólica “Santa Odília”. Quem foi dessa época deve lembrar como chegamos cansados e apreensivos. Lembro-me bem do Raimundo, do Chicão, do Carraro e do Antônio de Ázara, os demais fui conhecendo gradativamente, assim como os padres Justino, Agostinho, Clemente, Lucas e Cornélio os mais presentes no nosso meio. Os demais quando por lá apareciam ou porque davam aulas no Colégio. Foi o caso dos padres Pedro, João, Artur e Luiz.

                Nesse ano houve uma grande seca, nada de chuva. O Sertão estava muito seco. Um dia numa estrada que passava pelo lado do Seminário ocorreu um fogaréu nas margens dessa estrada. E lá fomos nós, os seminaristas maiores ajudar a apagar o fogo. Quem se lembra desse fato?

                Quanta coisa boa para nos lembrarmos, não é? Vivências, convivências, dificuldades, peladas, passeios, diversões, férias.

                Falando em férias, recordo que não sabiam para onde me mandar. Santana do Jacaré, Belo Horizonte ... Por fim optaram por Leopoldina. Fui adotado pela família do Carraro. Em Leopoldina fiquei conhecendo o Bessa e o Seoldo. O José Maria de Carvalho Coelho já tinha ido para Roma continuar os estudos. Fiquei em Campo Belo nos anos de 1963 a 1964. Em 1965 fui para Leopoldina. Lá, eu, o Carraro e o Antônio de Ázara fomos introduzidos no Noviciado. Mas isso é para outra história.



Sobre os Crúzios convém lembrar que os primeiros Crúzios a chegar ao Brasil vieram respondendo a um chamado e assim assumiram a sua vocação missionária na Terra da Santa Cruz, em Belém do Pará. Isso lá pelos idos de 1934. “Só mesmo a fortaleza na Fé, Dom de Deus, ao lado de uma confiança ilimitada no futuro desta terra... após sofrerem epidemia de malária que causou a morte de muita gente e entre elas de santos Padres Crúzios... os impediu que deixassem o Brasil...” (documento encontrado).

              Foto 212 No pátio do Colégio Dom Cabral, Campo Belo - MG




             Estes primeiros missionários Crúzios se destacaram por sua vivência religiosa, por sua indumentária (hábito branco, cíngulo preto, escapulário preto com a cruz vermelha e branca no peito e a capinha preta - vide foto 215) e trabalho pastoral. Eram conventuais. Todos aqueles que se propuseram a viver a vida religiosa crúzia, não foi por verem como viviam, mas sim como atuavam e pela bondade e amor com que assumiam sua vocação e atuação pastoral.


Poucos conviveram com eles na intimidade da vida conventual para dizerem que gostariam de viver como eles. Apenas desejavam ser como eles, viver como eles, trabalhando pelas almas como eles o faziam. Aliás, diga-se de passagem, parece que não se preocupavam em formar religiosos nativos do Brasil. Os primeiros candidatos foram recrutados pela observação de suas qualidades e virtudes e não por um aprofundamento de conhecimento vital. Também isso era pouco provável, pois os candidatos eram crianças, jovens imaturos que gostavam dos padres João Maria Verkuylen, João Batista Verkade, Pedro van Bree, Henrique Cuppen, Geraldo van der Weiden, Teodoro Arnoldus, José van Duijnhoven, Martinho Arntz, Henrique Plag, José van Duijnhoven, Cornélio Huijgens, Francisco Jutte, Geraldo van der Weiden, Martinho Arntz, Sebastião Sweerts, Teodoro Arnoldus (1934-1939). Padres Antônio Broersen, Guilherme Ivits, Humberto Nienhuis, Francisco Nllesen, Alberto Jagger, Marino Verkuylen, Arnaldo van Kuyk, Egídio Donkers, Luiz Huitema, André Bleeker, Jerônimo Barten, Jaime Meekel (1946-1950). Padres Pedro Schreurs, Cornélio van Vroonhoven, Jorge Custers, Hilário de Jong, Lucas Boer, João Marcelo van Grunsven, Bernadro Rutten, Teófilo Dalessi, Arthur de Haan, Clemente Pepping, Luis Fransen, Geraldo Copray, Justino Obers, Henrique Weinands, Henrique Duimel, Guilherme van de Lokkant, Paulo Bot, André Zegers, Antônio Reijnen, Honório de Laat, José Maria Bakker, Tiago Boets (1951-1959). Padres Francisco Dortmans, Jõao Maria van Doren, Agostinho Reijken, Leonardo Bogaartz, Harolo Hubers, Bernardo van de Vem, Guilherme Potveer, Tiago van Winden, Cristiano Kuppens, Geraldo van Kemenade, Pedro Dekker, João Antônio Beukboom, Cornélio van Stralen e Teodoro Verbruggen (1951-). A maioria passou por Belém-Santa Izabel do Para, outros por Belo Horizonte, Leopoldina, Miracema, Juiz de Fora, Astolfo Dutra, Rio de Janeiro e Campo Belo.
Foto 213 Casa da Barão

Ao todo, salvo maior engano, foram sessenta Padres Crúzios que pela Terra da Santa Cruz passaram. Hoje contamos com os padres Leonardo Bogaartz, Guilherme van de Lokkant, Teófilo Dalessi, Haroldo Hubers, Tiago van Winden e Teodoro Verbruggen. São os “Últimos dos Moicanos” originários da Província Holandesa (européia). QUAIS DESSES INFLUENCIARAM EM SUAS VIDAS? QUEM LHES SERVIU DE EXEMPLO? SEJAMOS GRATOS!

2.2-      O DESEJO DE CONTINUIDADE


Somente a partir de l948 os Crúzios chegaram a Minas Gerais e ai se desencadeou todo um processo racional de recrutamento elaborado, empreendido e desenvolvido pelo Padre Marino Verkuylen e, de forma muito resumida pelos demais padres em suas paróquias.



Em termos de “produção”, o trabalho foi um pouco infrutífero. Em uma primeira instância, apenas um brasileiro chegou ao sacerdócio. Foi o Padre Antônio de Araújo Bessa. Um grande hiato tomou conta da história da formação de novos Crúzios no Brasil.

Até que, de repente, uma luz brilhou no túnel e houve um novo começo. Padre Francisco Sinvaldo, Padre José Antônio, Padre Carmito (?), Padre José Maria e agora, nos dias de hoje alguns professos dão maior alento e esperança à continuidade da Província. Como é o caso do Padre Julio, do Padre Wilson, do Padre José Cláudio e do Padre Elione, este último filho de Campo Belo e ordenado no dia 18 de junho desse ano.

Circunstâncias pessoais ou de divergências internas, os Padres Crúzios brasileiros: José Antônio, Carmito, Francisco Sinvaldo e José Maria e agora o Padre Teodoro estão vivendo sua vocação como Padres Diocesanos. Há um dito interno que nos consola: “Os Crúzios do Brasil não perderam seus padres. Eles os prepararam para bem servir à Igreja do Brasil”.  Só isso já bastaria para fundamentar a presença dos Crúzios no Brasil e seu trabalho pastoral e missionário. Mas só isso não bastou; a semente da Cruz ficou em Belém do Pará, Campo Belo, Belo Horizonte, Leopoldina, Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Miracema, Astolfo Dutra e nos diversos lugares por onde nossos queridos Padres Crúzios passaram.



Coisas novas estão acontecendo na Família Cruzmaltina, na Família Crúzia da qual de alguma forma nós participamos. Chegou a hora de nós, como partícipes dessa família, nos coloquemos a disposição dessa nova dimensão de fazer brotar  uma NOVA FAMÍLIA CRÚZIA, POIS AFINAL “IN CRUCE SALUS MEA”, traduzindo: “NA CRUZ ESTÁ A MINHA (NOSSA) SALVAÇÃO” e “PELA CRUZ A VIDA”





3-                  CONCLUSÃO

Essa narrativa vale para nós também. Nós não nos perdemos. Hoje somos cristãos autênticos. Bons pais de família. Excelentes profissionais em quase todas as áreas de conhecimento. A disciplina, o conhecimento, a cultura e o sentido de saber enfrentar a vida com dignidade, dedicação, trabalho e fé nos inspiraram a sermos o que hoje somos. SOMOS GRATOS.



Mas não ficamos por aí. Através de um trabalho silencioso, criterioso e paciente de nossos amigos e dedicados ex-seminaristas conseguiu-se encontrar um bom número de adolescentes e jovens daqueles que passaram pela Escola Apostólica “Santa Odília” e pelo colégio “Dom Cabral”, em Campo Belo.



Nesse esforço de resgatar as imagens, as lembranças dos bons e velhos tempos, conseguimos nos reencontrar. Já nos reunimos por duas vezes. Onde? Ora, só poderia ser em Campo Belo. Foram dias maravilhosos. Alegria, comemorações, conto de “causos”, passeios, almoços, jantares, bate-papo e umas biritinhas para festejar os encontros. No primeiro só estiveram presentes os “ex’s”. Foi bom, muito bom. Mas queríamos muito mais. Já no segundo, quem quis trouxe esposa e filhos.



Meus irmãos, amigos de caminhada e companheiros de ideal:

FELICIDADES PARA TODOS – CONTAMOS COM SUAS “ESTÓRIAS” PARA SEREM PUBLICADAS – REPORTAGENS – FOTOS E PRESENÇA AMIGA NO PRÓXIMO ENCONTRO

Um fraternal abraço.
                             

Foto 214 Autor               
Tupinambá Pedro Paraguassú Amorim da Silva (vulgo Tupy)

tupypedro@yahoo.com.br – 021 – 31 – 34824069 // 021 – 31 96354069

Sabará, 20 de junho de 2011



CE/AJF/EMA

2 comentários:

  1. Desculpa-me o abuso de usar seu Blog,mas,descobrir que o Tupinamba Pedro Paraguassú Amorim da Silva,é o mesmo que conheci na Fazenda do meus avos, e é o mesmo que estudou junto com Geral e Edis.Não assino Carraro, mas faço parte da família, pois Bida e Zeca são meus tios,pois ambos casaram com irmãos de minha mãe.Maria do Carmo,casada com José Sodré.Sou a filha mais velha,Francisca.
    Nunca esqueci seu nome por ser muito longo.Fiquei feliz em sABER NOTÍCIAS,mesmo sendoinformatizada.Braços.Feliz Ano Novo para toda sua família.Deixe meu face como contato,ou email-mframontes@yahoo.com.br

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  2. Legal. Tomar conhecimento da história dos Padres Crúzios me faz voltar ao passado. Fui levado a Igreja desde pequeno pelos meus pais Igreja Santa Rita de Cássia em Juiz de Fora e, desde 1952 lembro-me de quase todos os Padres Crúzios que passaram por Juiz de Fora. Padre Teófilo foi meu primeiro Catequista no Grupo Escolar, como esquecê-lo..! Enfim os Padres Crúzios fazem parte de minha infância, adolescência e até hoje. Agradeço muito a eles por tudo.

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